Papel de cebola: o que é e como usar
A ferramenta que herdou o nome do papel fino das mesas de luz, como ajustar quantos quadros aparecem e como usá-la para conferir espaçamento, arcos e volume.

O papel de cebola é a ferramenta mais usada na animação quadro a quadro digital. Ela mostra, em transparência, os desenhos dos quadros anteriores e seguintes enquanto você trabalha no quadro atual. Com isso, dá para ver de onde o movimento vem, para onde vai e se o novo desenho está no lugar certo. O nome vem do papel muito fino que os animadores usavam sobre a mesa de luz, tão transparente quanto a casca de uma cebola.
#De onde vem o nome
Antes do computador, animadores trabalhavam numa mesa de luz: uma mesa com um vidro e uma lâmpada embaixo. Folhas de papel fino eram empilhadas sobre o vidro, e a luz atravessava as folhas, deixando ver o desenho anterior através do atual. Esse papel fino, chamado de papel de cebola, deu nome à ferramenta digital que faz o mesmo trabalho. Em inglês, o termo é onion skin; em muitos programas, aparece como "quadros vizinhos" ou "referências".

#Para que serve a ferramenta
A ferramenta ajuda em quatro tarefas:
- Desenhar intermediários: ver o desenho anterior e o seguinte ao mesmo tempo mostra onde o intermediário deve cair.
- Conferir o espaçamento: com vários quadros visíveis, a distância entre eles mostra se o movimento acelera e desacelera como planejado.
- Seguir arcos: um ponto do personagem, como o nariz, deve fazer uma curva limpa através dos quadros.
- Manter o volume: comparar o tamanho da cabeça ou do corpo entre quadros revela mudanças sem querer.
#Quantos quadros mostrar
Mostrar quadros demais polui a tela; mostrar de menos esconde informação. Uma regra prática:
- Para desenhar um intermediário: um quadro antes e um depois.
- Para conferir o espaçamento: dois ou três de cada lado.
- Para conferir um arco ou um ciclo: cinco ou seis de cada lado, com a transparência mais forte nos mais distantes.
Muitos animadores usam só os quadros anteriores ao desenhar em animação direta, e os dois lados ao desenhar intermediários entre quadros-chave.
#Cores e transparência
A maioria dos programas pinta os quadros anteriores de uma cor e os seguintes de outra, por exemplo vermelho para trás e verde ou azul para a frente. Isso evita confusão quando os desenhos se sobrepõem. A transparência diminui conforme o quadro se afasta do atual, para que os mais próximos chamem mais atenção.
Se as cores atrapalham a leitura do seu desenho, troque por tons que contrastem com a sua paleta. Num desenho com muito vermelho, por exemplo, quadros anteriores em vermelho ficam difíceis de ver.
#Espaçamento à vista
Uma das funções mais úteis é ver o espaçamento de uma só vez. Com a ferramenta ligada em vários quadros, uma bola caindo deve mostrar desenhos amontoados perto do topo e espalhados perto do chão. Se os desenhos estão à mesma distância, a bola cai em velocidade constante, sem peso. O artigo sobre a bola quicando mostra esse padrão com um exercício.
#Papel de cebola em ciclos
Em ciclos, como uma caminhada ou um voo de pássaro, a ferramenta ganha um uso extra: conferir a emenda. O último desenho do ciclo precisa levar ao primeiro sem salto. Com os quadros vizinhos visíveis no fim do ciclo, ligue também a visualização do primeiro quadro, se o programa permitir, ou copie o primeiro quadro para depois do último por alguns minutos. Se a sobreposição mostrar um degrau entre eles, o ciclo vai tropeçar a cada repetição.
#Em camadas diferentes
Num personagem dividido em camadas, como corpo, cabeça e cabelo, vale ligar a transparência só na camada em que você está trabalhando. Ver os quadros vizinhos de todas as camadas ao mesmo tempo mistura linhas demais. Quando estiver desenhando o cabelo, por exemplo, ver o cabelo dos quadros vizinhos e o corpo só do quadro atual deixa claro o atraso das mechas em relação à cabeça.
#Os limites da ferramenta
A ferramenta mostra o desenho, não o movimento. Um quadro pode parecer certo sobre os vizinhos e, ao tocar a cena, ainda tropeçar. Por isso, a ferramenta não substitui o hábito de tocar a animação em velocidade real a cada poucos desenhos. Outro cuidado: copiar o desenho anterior por cima com a transparência ligada pode levar a desenhos todos parecidos demais, com pouca variação de pose. Use a referência para posicionar, não para decalcar.
#Mesa de luz digital
Alguns animadores gostam de alternar entre quadros com um atalho, em vez de ver todos em transparência. Esse movimento rápido entre dois desenhos, chamado de flipping, imita o gesto de folhear as folhas na mesa de luz e mostra o movimento de verdade, não só a sobreposição. Combinar a transparência com o flipping dá o melhor dos dois mundos.
#Erros comuns
- Muitos quadros visíveis: a tela vira uma confusão de linhas.
- Cores parecidas com a arte: os quadros vizinhos somem.
- Decalcar o quadro anterior: os desenhos ficam todos iguais e o movimento perde vida.
- Nunca desligar: de vez em quando, desligue para ver o desenho atual sozinho, sem a influência dos outros.
#No Zyggs
No Zyggs, essa ajuda fica junto da linha do tempo, e o guia Enxergar os quadros vizinhos mostra como escolher quantos quadros aparecem antes e depois, a cor de cada lado e a transparência. Ela não aparece na exportação, como explica o guia Salvar, compartilhar e exportar.
#Para estudar mais
O verbete da Wikipédia sobre o papel vegetal conta a história do papel transparente que deu origem à ferramenta. E para usar o papel de cebola numa primeira cena completa, o artigo sobre a animação quadro a quadro traz um roteiro passo a passo.
Perguntas frequentes
O nome vem do papel muito fino, quase transparente, que os animadores usavam sobre a mesa de luz para ver o desenho anterior através da folha. Em inglês, a ferramenta se chama onion skin.
Para desenhar intermediários, um ou dois antes e um ou dois depois bastam. Para conferir um arco ou um ciclo, vale mostrar mais, cinco ou seis de cada lado.
Não. Ele é só uma ajuda de visualização enquanto você desenha e não entra no arquivo exportado.


